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Depressão na contemporaneidade

Acredita-se que o mundo globalizado seja um dos pontos desencadeantes para o desenvolvimento desse transtorno, já que o homem vive em uma constante corrida contra o tempo, para tornar-se cada vez mais produtivo e desse modo consumir mais. Com esse movimento, aliena-se de si e experiência um sentimento difuso de “falta de sentido”, o que esbarra em um mundo digitalizado onde a felicidade é obrigatória e as dificuldades e aflições da vida -já que somos feitos de carne e ossos- são classificadas como “depressão”, dando espaço para a rotulação e deixando de lado o humano que precisa ser reconhecido, acolhido e tendo suas necessidades atendidas.

A sociedade do consumo, o mundo onde a cada instante somos bombardeados com informações que estimulam a competição desenfreada por bens e likes, trás como consequência, o esvaziamento do ser e a perda de sua própria referência, o que faz com que o norte para a vida esteja pareado com o outro, trazendo muitas vezes um olhar degradante e com menos valia para a própria história e conquistas.

Quem nunca assistiu o episódio “Queda livre”, da minissérie Black Mirror, fica aqui a dica para reflexão da busca para a felicidade plena e a perfeição, onde o valor atribuído é estabelecido através das redes sociais, onde a classificação e separação das pessoas ocorrem a partir do que elas demonstram. É necessário ser gentil e fingir perfeição; não há espaço para a tristeza, o vazio existencial e o descontrole emocional.

Em um mundo onde o mais é sempre exigido, há um aumento significativo do quadro clínico da depressão gerando incapacidade mental e física global, sendo considerada a quarta maior na contribuição à Carga Global de Doença. De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (2017), o número de casos aumentou consideravelmente, afetando cerca de 322 milhões de pessoas em todo o mundo.

Algumas pessoas sofrem com a depressão, mas estão tão desconectadas de si que não percebem as principais características como, por exemplo, a alteração do humor ou do afeto diante dos desafios cotidianos da vida.

A depressão afeta o organismo como um todo, comprometendo os aspectos físicos, do pensamento e das emoções; alterando a maneira como a pessoa vê e sente o mundo, percebe e dá sentido a sua realidade.

Desse modo, pode-se considerar o diagnóstico da depressão quando se observam características:

Físicas: cansaço excessivo, dores pelo corpo, alteração no apetite e no sono.

Cognitivas: dificuldade para memorizar informações, dificuldades para manter a concentração, autoestima rebaixada.

Emocionais: tristeza persistente, perda do interesse por coisas que antes eram fontes de satisfação, ideias de culpa e inutilidade, e visão pessimista quanto ao futuro.

Embora existam manuais que classificam a depressão em diversos tipos, cabe lembrar que a realidade de cada um é única, não podendo ser englobalada e lançada ao comum, tirando de cada SER que passa por essa experiência a sua própria visão de vida. A depressão expressa à singularidade de um homem, e é preciso não classifica-la, mas ampara-la para que se possa atribuir novos sentidos.

Para finalizar um trechinho de uma música linda que nos remete a importância de olhar para dentro de si, a fim de se encontrar:

“Por tanto amor

Por tanta emoção

A vida me fez assim

Doce ou atroz

Manso ou feroz

Eu caçador de mim (…)”. –Milton Nascimento.

Desejo que você possa se encontrar.

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